Uma Carta Para o Recém-Papai

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Oi Comadre, tudo bem?

Muitas mamães têm me pedido para escrever algo para servir de orientação para os papais, que também estão tentando entender qual é o seu papel nessa história linda que é o nascimento de uma família.

Então… aqui está 😉

Leia com os seus olhos e com seu coração e, se concordar, mostre para ele, compartilhe, leia junto! Quem sabe até não conversam um pouco mais sobre o assunto…

Espero que  gostem.

 

“CARTA PARA UM RECÉM-PAPAI”

” Meu amor, eu tenho tantas coisas para te dizer que nem sei por onde começar…

“Do começo é sempre melhor”, não é assim que você me diria?

E prometo que tentarei ser prática e objetiva… tá bom, sei que é quase impossível (você deve estar pensando…), mas vamos lá 🙂

Desde quando recebemos a notícia que o nosso bebê estava a caminho, além da imensa alegria e amor que vi nos seus olhos e no seu sorriso, pude perceber o peso da responsabilidade que você sentiu, já que agora, você teria que assumir um novo papel, mais adulto mais maduro, de pai, de protetor de provedor. Sei que isso não é facil. Sei que ás vezes pensa que não vai dar conta!

Mas EU SEI que você vai! Nós estaremos juntos. Eu sei que lidar com as suas emoções não é muito confortável para você…e sei que um filho, o nosso filho te obrigou a isso. Sei também que você se viu diante da sua própria infância, do tipo de cuidado e de carinho (ou a falta disso) que recebeu lá atrás, eu também me sinto assim.

Deve ter pensado muitas vezes, ou imaginado, como você será como pai… carinhoso ou distante? Babão ou general? As vezes também passou pela sua cabeça que você não conseguirá ser o pai que você teve, ou ainda, que você quer muito fazer e ser melhor.

Você ainda precisou lidar, na gravidez, com o meu humor que ia de 0 a 100 em minutos, meus enjôos, sonolência, ataques de choro sem explicação, desejos malucos… muitas vezes me pegou quieta, só pensando e, tentou ler meus pensamentos. Exames sem fim, consultas médicas, dúvidas, medos e noites sem dormir…e você ali do meu lado meio sem saber o que fazer! Se bancasse o forte, para me dar segurança, corria o risco de ser taxado de insensível, se ficasse apavorado, eu ainda te dizia que você não estava ajudando!!

Aí vieram as mudanças no meu corpo, primeiro discretas e até bem vindas, e depois, desconfortáveis e desafiadoras. Tivemos que nos reinventar em tempo, posições e descobrir um amor mais calmo e mais maduro. Você me dizia que eu estava linda, mas eu via no seu rosto estampado: “meu Deus, que barriga é essa? Será que um dia vai voltar?”

Meu assunto, preocupações, minha energia, meus choros e minhas alegrias passaram a pertencer exclusivamente ao nosso bebê.

Você participando de tudo, mas eu sempre te cobrava mais: conversa com o bebê! Passa a mão na minha barriga! E você me dizia com seus olhos : “Que loucura é isso, gente?”. Acredite, isso é sim muito importante! Tanto para você quanto para o nosso filho.

E você fazendo contas e mais contas, planos e mais planos, sonhou até com a formatura do nosso filho e já começou a fazer uma poupança. Comprou para ele um body do seu time de futebol favorito e nos durante os exames de ultrassom ficava ali fazendo cara de quem estava entendendo tudo, quando na verdade queria mesmo saber se era certeza de que era só um bebê mesmo e, se era um meninão ou se era a sua princesa que estava chegando.

Eu fui ficando cada vez mais ansiosa com o momento do parto, preocupada que tudo estivesse pronto, angustiada que o nosso bebê viesse na hora certa, perfeitinho e com saúde e você fazia de tudo para me acalmar… me dizia que tudo ia sim correr muito bem. Mas eu ouvia os seus pensamentos que diziam: “Que medo de perder você”.

Até que chegou o grande dia! O dia de conhecermos o nosso bebê. Você ali, posando de forte, checando as malas, a máquina fotográfica, fazendo piadinhas… mas não conseguiu nem pentear seus cabelos … muito apreensivo.

E chegou o momento! O momento do nascimento da NOSSA FAMÍLIA, da nossa história. E você não conseguiu esconder as lágrimas quando pegou nosso bebê e olhou bem para os seus olhinhos.

Tudo correu muito bem! Agora o próximo desafio: eu aprendendo a amamentar, nosso filho aprendendo a mamar.

Agora nesse momento, eu te peço: seja respeitoso comigo, eu preciso tanto do seu apoio incondicional!! Me ajude no que conseguir: fique do meu lado, segure na minha mão, olhe bem para mim e me dê aquele seu sorriso, sabe? Assim que sei que tudo ficará bem.

Tente não fazer comparações e críticas. Só me apoie… Com você ao meu lado eu sei que posso conseguir. Confie em mim, não fique falando de oferecer complemento, que o bebê está chorando de fome, que eu não tenho leite… Ou ainda entenda que no começo, amamentar é MUITO dolorido sim! Não é frescura e nem estou querendo chamar a atenção…

Por mais estranha que eu esteja, barriga ainda arredondada, cara lavada, descabelada, exausta… NUNCA, em hipótese alguma, faça algum comentário jocoso ou irônico sobre o meu corpo ou a minha aparência! Nesse comecinho eu já estou me sentindo feia o suficiente, estranha, insegura, cansada, fragilizada e, tudo que eu preciso é de carinho, cuidado e atenção.

Eu sei que você se sente meio deslocado, meio sem saber o que fazer… se sente desajeitado para pegar o bebê, não sabe ainda trocar, dar o banho… mas eu também não sei!! Que tal aprendermos juntos?

Na madrugada, quando nosso bebê chorar, você não consegue amamentá-lo, mas você pode trazer ele para mim e , depois, colocá-lo para arrotar e fazê-lo adormecer novamente! Você pode me ajudar a sentar de forma confortável. Você pode me trazer um copo d’água! Amamentar dá uma sede …

Olhe para mim com carinho e admiração, mas não me confunda com a sua mãe. Eu continuo sendo a sua mulher! Seja paciente, carinhoso que, em pouco tempo voltaremos a namorar, a ter nossos momentos. A natureza é muito eficiente e em 30-40 dias, meu corpo estará recuperado… talvez a minha cabeça ainda não esteja pronta: o bebê suga toda a minha energia, não me sinto sexy, meu peito dói e vaza leite, meu peso ainda não voltou ao normal…a lingerie do pós parto e de amamentação não é a coisa mais bonita do mundo. Mas é só um momento….

Eu me sinto mergulhada num terremoto de emoções tão fortes e desconhecidas que, muitas vezes me esqueço até de perguntar como foi o seu dia.. me desculpe por isso! Eu sei que você chega em casa cansado, querendo tomar um banho, conversar, jantar uma comida gostosa e quentinha…. eu também preciso disso! Não me cobre, me ajude! Os meus dias aqui sozinha, com um bebê, ás voltas com xixis, cocôs e choros também não são exatamente tranquilos!!

Segure o bebê por alguns momentos! Aprenda a consolá-lo, a fazê-lo dormir. Eu sonho com um banho mais demorado, com a minha privacidade para ir ao banheiro sossegada. Eu preciso estar bem alimentada para amamentar nosso filho então, fique com ele para eu conseguir fazer pelo menos uma refeição decente.

Me ajude a manter a serenidade, me ajude a buscar ajuda se preciso for, sempre converse comigo. Esteja atento. Você me conhece tão bem… sabe bem reconhecer se estou chegando ao meu limite.

Seja paciente com a minha mãe. Ela é peça fundamental desse momento para mim! É um ciclo que está se fechando para que outro se inicie, e eu, ela e nosso filho precisamos viver isso juntos.

E muitos desafios ainda virão. A minha volta ao trabalho, os dentinhos nascendo, doenças começando, o sono do bebê um caos, a introdução alimentar, o desfralde, a entrada dele na escolinha… e nós precisamos de você! Nós precisamos passar por isso juntos.

A forma como decidirmos ou conseguirmos viver esse momento, vai ser determinante para toda a nossa vida e relacionamento, sabia? E, os especialistas falam que o amor, amparo e acolhimento que eu consigo dar ao nosso bebê nesses primeiros meses é exatamente proporcional ao acolhimento que EU recebo de você, da minha família! E você ainda acha que o SEU papel nessa história não é importante?

Não se sinta enciumado! Não te deixei de lado não! Lembra que estou cuidando do NOSSO filho e, ainda estou aprendendo a lidar com esse amor tão grande.

Eu sei que muitas vezes não entende o seu papel e a sua importância nesse contexto. O bebê prefere o meu colo, os meus cuidados,muitas vezes até chora quando vai com você! E eu só penso e falo dele, não é mesmo? E você?

Nesse monte de coisas que venho lendo e aprendendo, descobri que o papel do pai, é levar o filho para o mundo! A mãe acolhe, recolhe, e o pai leva e conduz! Você é a primeira pessoa que mostra ao nosso filho que ele pode confiar em mais alguém, além de mim. Representa autoridade e segurança.

Não se afaste da gente! Nós precisamos de você…”

 

Espero ter te ajudado!

A gente se encontra  por aqui

bjos e atétags-coracao

Lígia Coimbra

 

 

 

 

 

 

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